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Com Gomes da Costa

20679 - Cópia

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20679

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23075

 

«OS DESCOBRIDORES DO CÉU»
«Nunca é fácil encontrar as palavras certas para descrever as grandes figuras da História; pessoas que não se conformaram com as limitações do seu presente, que ousaram romper descobrindo um futuro que colhemos e usufruímos. Fizeram-no quase sempre à custa de persistência e a sabedoria própria das mentes inquietas, que não se conformam com a ignorância e acreditam que o saber será obra do seu esforço. A verdade é que depois deles o mundo ficou diferente, com a herança que nos deixaram, que mudou a nossa vida, criando outros presentes e outros tantos futuros.
[…]
Por alturas de 1919, Sacadura era já um piloto experiente e propôs a Gago Coutinho estudar uma solução para que os aviões – que podiam deslocar-se de forma rápida e por cima de todos os obstáculos – conseguissem usar um sistema de navegação que os habilitasse a fazer grandes travessias e alcançar o seu objectivo com segurança. Hoje, é imensa a quantidade de equipamentos electrónicos capazes de garantir a navegação de forma rigorosa e quase instantânea. Mas ainda há poucas décadas os navegadores eram obrigados a recorrer à observação sistemática da altura de astros conhecidos, para estabelecerem a sua posição e poderem alcançar o destino pretendido.
[…]
A navegação astronómica praticada no século XX assenta na manutenção de uma estimativa cuidada do trajecto do navio, corrigida a espaços pela observação da altura de astros. São várias as técnicas, que ainda hoje se ensinam na Escola Naval, mas todas elas são adequadas às condições da navegação marítima. Pressupõem que o observador está à altura da ponte de um navio, e que o mesmo se desloca a uma velocidade baixa, em viagens de dias, semanas ou meses. Nada disso acontece no avião. Em primeiro lugar a sua velocidade e muito mais elevada e isso obrigaria a determinações e cálculos mais rápidos e mais frequentes. E segue-se a dificuldade da estimativa do seu trajecto, porque o efeito do vento sobre a aeronave é bastante maior do que os efeitos somados da corrente e do vento sobre o navio. Acresce ainda que o aviador está muito mais alto do que qualquer ponte de comando e isso pode afectar ou até impedir a possibilidade de observações astronómicas rigorosas, com recurso ao sextante usado nos navios.
A primeira grande tarefa foi inventar um sistema que permitisse controlar a estima do trajecto, em razoáveis condições de precisão. Foi isso que fizeram conjuntamente Gago Coutinho e Sacadura Cabral, ao criarem o instrumento a que chamaram “plaqué do abatimento”. Com ele determinavam, de forma gráfica e rápida, o efeito do vento na aeronave e como deviam orientá-la para que seguisse sobre a rota pretendida.
Seguia-se a dificuldade (maior) com as observações astronómicas e os respectivos cálculos, cuja solução viria a ser estudada e resolvida por Gago Coutinho, entre 1919 e 1921. Com um sistema de bolha de nível criou um horizonte artificial adaptado ao sextante, permitindo medir alturas de astros a qualquer hora do dia ou da noite, com ou sem visibilidade no horizonte. Mais tarde, veio a desenvolver e aperfeiçoar esse sistema, com duas bolhas, que ficou patenteado com o seu nome e foi usado na navegação aérea durante muitos anos.
As observações, contudo, teriam de ser muito rápidas, ajustadas à velocidade do avião, e Gago Coutinho encontrou solução para isso através de um planeamento detalhado da viagem, sobre uma projecção cartográfica especial, com observações pré-planeadas e cálculos já realizados. Em cada observação efectuada era apenas necessário fazer pequenas correcções, de que resultava uma recta de posição, a traçar/ajustar sobre o rumo previsto, corrigindo a posição estimada do avião. As sucessivas rectas e ajustes permitiam garantir uma rota com o rigor necessário à abordagem de qualquer destino.
[…]
A aeronáutica teria ainda de evoluir bastante, nomeadamente na capacidade dos aviões e da sua autonomia, mas estava resolvida a maior dificuldade dos voos de longo curso: a navegação aérea autónoma. Usando a técnica e os instrumentos idealizados e aperfeiçoados por Gago Coutinho, os aviões poderiam alcançar qualquer destino que estivesse ao alcance das suas capacidades mecânicas e da sua autonomia em combustível. Foi ele o grande criador desta nova técnica e o obreiro de um futuro de viagens aéreas, inimaginável no princípio do século XX e que é hoje o nosso presente. »
Dentro em breve se completarão 100 anos deste feito que começou em 1919 e que se completou em 1922, a quando da grande travessia aérea do Atlântico-Sul. Altura muito própria para homenagear o homem que abriu os céus ao mundo, dando o seu nome a uma estrutura aeroportuária portuguesa, de dimensão internacional. São vários os exemplos internacionais em que os pioneiros da aviação são relembrados a quem aterra nos aeroportos que têm o seu nome. Saint-Exupery (Lyon), Santos Drumont (Rio de Janeiro) e Kingsford Smith (Sidney) são alguns exemplos disso, mas os Estados Unidos têm mais de uma dezena de aeroportos que homenageiam a iniciativa e a coragem destes aventureiros. “Almirante Gago Coutinho” seria assim um nome a recordar, a quem nos visita, o engenho e a capacidade criativa da gente portuguesa.»

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Aeroporto do Montijo

134364770 Já se fala em nomes e continuam esquecidos os mais indicados. Comemoram-se este ano os 100 anos da aviação naval e até 2022 mais 100 da travessia aérea Lisboa – Rio de Janeiro